18/02/2026 - 13:16
Se você passou algum tempo em plataformas como TikTok ou Instagram recentemente, pode ter cruzado com vídeos de jovens usando máscaras de animais, caudas e praticando “quadrobics” — exercícios de agilidade realizados sobre as quatro extremidades. Eles se autodenominam Therians. O termo, derivado do grego thēríon (animal selvagem), descreve indivíduos que se identificam, em um nível não biológico, como seres não humanos.
Identidade, não fantasia: diferentemente dos “Cosplayers” ou “Furries”, os Therians afirmam que sua conexão com o animal (chamado de theriotipo) é intrínseca, seja por uma explicação espiritual (como vidas passadas) ou psicológica (neurodivergência ou mecanismos de enfrentamento).
Comunidade digital: o movimento ganhou força na Geração Z, encontrando nas redes sociais um espaço para compartilhar experiências de “mudanças” (percepções sensoriais do animal) e técnicas de movimentação.
Quadrobics: a prática de correr e pular como animais tornou-se a face mais visível do movimento, unindo condicionamento físico e expressão identitária.
Debate público: o fenômeno gera discussões intensas sobre saúde mental, bullying escolar e os limites da identidade na era da hiperconectividade.
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Espiritualidade ou psicologia?
Para muitos Therians, a experiência é descrita como uma disforia de espécie. Eles relatam sentir que seus corpos humanos não correspondem à sua “verdadeira” essência animal. Um jovem que se identifica como um lobo, por exemplo, pode sentir “membros fantasmas” (como caudas ou orelhas) em momentos de estresse ou euforia.
Especialistas em comportamento sugerem que o movimento pode ser uma resposta ao isolamento e à ansiedade da vida moderna. Ao adotar uma identidade animal, o jovem encontra um senso de pertencimento e uma forma de liberdade que as normas sociais humanas muitas vezes restringem. No entanto, psicólogos alertam para a necessidade de equilíbrio: embora a expressão criativa seja saudável, o isolamento total da realidade humana pode apresentar desafios ao desenvolvimento social.
O estigma e a “caça” nas escolas
O crescimento da visibilidade Therian trouxe consigo uma onda de incompreensão e ataques. Vídeos de jovens praticando movimentos animais em parques são frequentemente alvo de comentários de ódio. Em algumas escolas nos Estados Unidos e na Europa, o tema chegou a gerar boatos falsos sobre a instalação de “caixas de areia” em banheiros — uma fake news recorrente que tenta descredibilizar o movimento e pautar agendas políticas conservadoras.
O papel da Geração Z
Os Therians representam uma faceta da fluidez característica da Geração Z. Para esse grupo, as fronteiras entre o eu físico, o eu digital e o eu imaginário são porosas. O movimento não busca mudar a biologia — os Therians sabem que são humanos —, mas sim reivindicar o direito de sentir e interpretar sua existência de uma forma que inclua a natureza de maneira radical.
“Ser Therian não é uma escolha, é uma descoberta. É entender que parte de mim responde ao chamado da floresta, mesmo vivendo em uma cidade.”
Depoimento de um praticante em fórum dedicado à comunidade.
