03/02/2026 - 7:24
Cães que acompanham seus tutores em trilhas e atividades ao ar livre ganham estímulo físico e mental, mas também ficam mais expostos a riscos muitas vezes invisíveis, como verminoses e ectoparasitas (pulgas e carrapatos). Em alguns destinos, como regiões litorâneas no verão, a atenção deve ser ainda maior por conta de doenças transmitidas por mosquitos, como a dirofilariose, conhecida como “verme do coração”.
Para ajudar tutores de cães “trilheiros” a planejarem passeios com mais segurança, Karin Botteon, médica-veterinária e gerente técnica de pets da Boehringer Ingelheim, apresenta cuidados essenciais:
Antiparasitários em dia fazem diferença.
Pets aventureiros que frequentam a vida ao ar livre precisam de proteção adicional, já que estão mais expostos a contrair verminoses e a entrar em contato com pulgas e carrapatos. Por isso, é fundamental manter o protocolo de antiparasitários atualizado. Ainda mais quando, em cães adultos, a presença de vermes nem sempre apresenta sinais claros do problema.
Prevenção antes da viagem é o melhor caminho.
Antes de trilhas ou viagens para áreas litorâneas ou endêmicas, a recomendação é passar por uma consulta veterinária para definir o melhor protocolo preventivo. Podem ser indicadas medicações preventivas da classe das lactonas macrocíclicas, com opções mensais, tópicas ou orais, ou ainda injetáveis anuais. Também é importante ajustar a rotina, evitando passeios nos horários de maior atividade de mosquitos, como pela manhã e no fim da tarde, além de manter a realização de testes anuais em regiões de risco, quando recomendado.
No litoral e no verão, atenção ao “verme do coração”.
A dirofilariose é causada pelo parasita Dirofilaria immitis, que pode se alojar no coração e nas artérias pulmonares, levando a insuficiência cardíaca, tromboembolismo e até morte. O risco aumenta em períodos quentes e úmidos, com maior presença de água parada e, consequentemente, mais mosquitos transmissores (como Aedes, Culex e Anopheles). A dirofilariose é considerada uma zoonose rara: em humanos, o verme não costuma se desenvolver completamente, mas pode causar nódulos pulmonares. Ou seja, esse cuidado também protege a família.
Observe sinais que podem surgir meses depois.
Como a evolução da dirofilariose é lenta, os sintomas do verme do coração podem levar meses para aparecer, geralmente quando os vermes já estão adultos. Tosse persistente, cansaço fácil, falta de ar, intolerância ao exercício, perda de peso e apetite reduzido merecem atenção; em quadros graves, podem ocorrer desmaios e sinais de insuficiência cardíaca, e a avaliação veterinária deve ser imediata.
Suspeitou? Diagnóstico e acompanhamento são fundamentais.
A confirmação pode envolver teste rápido (antígeno), pesquisa de microfilárias no sangue (Teste de Knott) e exames complementares que auxiliam na avaliação clínica do paciente como raio-X e ecocardiograma. O tratamento é longo, complexo, oneroso, exige acompanhamento e, muitas vezes, restrição de exercícios, já que há risco de complicações como tromboembolismo. Portanto, prevenção é sempre a chave para evitar problemas com este parasita.
