A morte de um animal de estimação é, para muitos brasileiros, a perda de um membro da família. No entanto, até pouco tempo atrás, o suporte para lidar com essa ausência era limitado ou restrito a quem possuía alto poder aquisitivo. Em 2026, esse cenário mudou drasticamente em São Paulo. Uma nova legislação agora permite que cães e gatos sejam sepultados nos jazigos das famílias, tanto em cemitérios públicos quanto particulares, reconhecendo formalmente o vínculo multiespécie que define o lar contemporâneo.

A transição do “pet” para o “membro da família” exigiu uma sofisticação do setor funerário. Empresas especializadas agora oferecem protocolos que mimetizam a despedida humana, incluindo velórios, câmaras frias e a coleta de itens memoriais, como mechas de pelo ou impressões das patas. Mas, para além da estrutura física, a grande discussão hoje gira em torno da saúde mental de quem fica e da saúde pública da cidade.

  • O ritual como fechamento: psicólogos apontam que a ausência de um rito de passagem pode prolongar o sofrimento e gerar um luto “não autorizado” pela sociedade.

  • Novas leis em SP: o direito de enterrar pets em jazigos familiares altera a dinâmica dos cemitérios tradicionais e oferece conforto emocional às famílias.

  • Sustentabilidade: enterrar animais em quintais ou terrenos baldios é crime ambiental e oferece riscos graves de contaminação do lençol freático.

  • Democratização do adeus: a Prefeitura de São Paulo oferece serviços de cremação gratuita para famílias de baixa renda, combatendo o descarte irregular.


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A psicologia do luto “invisível”

Muitas vezes, quem perde um animal enfrenta o chamado luto desautorizado — aquele que a sociedade não valida totalmente, frequentemente minimizado com frases como “era só um bicho”. “O ritual traz um processo de fechamento. Quando não o temos, o sofrimento aumenta porque parece que a história não teve um fim”, explica Juliana Sato, psicóloga especializada em luto pet.

Natália Nigro, psicóloga e idealizadora da Laika Funeral Pet, reforça que o processo funerário ajuda a organizar a dor. “A gente busca o pet onde ele estiver, 24 horas por dia. O processo é muito parecido com o humano: há preparação, velório e a cremação. É uma forma de honrar a vida curta desses companheiros”, pontua. A coleta de cinzas ou lembranças físicas serve como uma âncora emocional para que o tutor consiga processar a finitude daquela relação.

Do privilégio à política pública

Por muito tempo, garantir uma despedida digna era um privilégio financeiro. Velórios e cremações particulares podem ter custos elevados. Contudo, o descarte incorreto de animais mortos em terrenos ou lixo comum é um problema de saúde pública, podendo transmitir doenças e contaminar o solo.

Em São Paulo, a prefeitura coordena serviços de cremação gratuita através de suas divisões de controle de zoonoses e serviços funerários. Conhecer essas opções é fundamental para evitar que o sofrimento da perda seja agravado por infrações ambientais. A nova lei de sepultamento em jazigos familiares é outro passo para integrar a morte do animal ao cotidiano social da cidade, permitindo que o tutor mantenha a proximidade física com as memórias de seu pet no mesmo local onde descansam seus entes humanos.

Guia de orientação em caso de óbito de um pet

OpçãoProcedimentoCusto
ParticularContratação de funerária pet (velório + cremação individual).De R$ 800 a R$ 3.000 (médio)
Pública (SP)Contato com o serviço de Zoonoses ou Transurb da prefeitura.Gratuito / Taxa mínima
Jazigo familiarVerificar se o cemitério (público/privado) já se adequou à nova lei estadual.Taxa de sepultamento
Quintal/RuaPROIBIDO. Risco de crime ambiental e contaminação.Multas e danos à saúde