26/02/2026 - 15:30
A morte de um animal de estimação é, para muitos brasileiros, a perda de um membro da família. No entanto, até pouco tempo atrás, o suporte para lidar com essa ausência era limitado ou restrito a quem possuía alto poder aquisitivo. Em 2026, esse cenário mudou drasticamente em São Paulo. Uma nova legislação agora permite que cães e gatos sejam sepultados nos jazigos das famílias, tanto em cemitérios públicos quanto particulares, reconhecendo formalmente o vínculo multiespécie que define o lar contemporâneo.
A transição do “pet” para o “membro da família” exigiu uma sofisticação do setor funerário. Empresas especializadas agora oferecem protocolos que mimetizam a despedida humana, incluindo velórios, câmaras frias e a coleta de itens memoriais, como mechas de pelo ou impressões das patas. Mas, para além da estrutura física, a grande discussão hoje gira em torno da saúde mental de quem fica e da saúde pública da cidade.
O ritual como fechamento: psicólogos apontam que a ausência de um rito de passagem pode prolongar o sofrimento e gerar um luto “não autorizado” pela sociedade.
Novas leis em SP: o direito de enterrar pets em jazigos familiares altera a dinâmica dos cemitérios tradicionais e oferece conforto emocional às famílias.
Sustentabilidade: enterrar animais em quintais ou terrenos baldios é crime ambiental e oferece riscos graves de contaminação do lençol freático.
Democratização do adeus: a Prefeitura de São Paulo oferece serviços de cremação gratuita para famílias de baixa renda, combatendo o descarte irregular.
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A psicologia do luto “invisível”
Muitas vezes, quem perde um animal enfrenta o chamado luto desautorizado — aquele que a sociedade não valida totalmente, frequentemente minimizado com frases como “era só um bicho”. “O ritual traz um processo de fechamento. Quando não o temos, o sofrimento aumenta porque parece que a história não teve um fim”, explica Juliana Sato, psicóloga especializada em luto pet.
Natália Nigro, psicóloga e idealizadora da Laika Funeral Pet, reforça que o processo funerário ajuda a organizar a dor. “A gente busca o pet onde ele estiver, 24 horas por dia. O processo é muito parecido com o humano: há preparação, velório e a cremação. É uma forma de honrar a vida curta desses companheiros”, pontua. A coleta de cinzas ou lembranças físicas serve como uma âncora emocional para que o tutor consiga processar a finitude daquela relação.
Do privilégio à política pública
Por muito tempo, garantir uma despedida digna era um privilégio financeiro. Velórios e cremações particulares podem ter custos elevados. Contudo, o descarte incorreto de animais mortos em terrenos ou lixo comum é um problema de saúde pública, podendo transmitir doenças e contaminar o solo.
Em São Paulo, a prefeitura coordena serviços de cremação gratuita através de suas divisões de controle de zoonoses e serviços funerários. Conhecer essas opções é fundamental para evitar que o sofrimento da perda seja agravado por infrações ambientais. A nova lei de sepultamento em jazigos familiares é outro passo para integrar a morte do animal ao cotidiano social da cidade, permitindo que o tutor mantenha a proximidade física com as memórias de seu pet no mesmo local onde descansam seus entes humanos.
