06/01/2026 - 18:52
A capacidade cognitiva dos animais de estimação voltou ao centro do debate científico no Reino Unido. O protagonista é Harvey, um border collie que vive em Cheshire e se tornou objeto de análise por sua memória excepcional. Diferente da maioria dos cães, que conseguem memorizar cerca de dez a 15 comandos ou nomes, Harvey é capaz de distinguir 231 brinquedos diferentes, além de uma dezena de outros itens domésticos.
Harvey, um border collie de sete anos, é capaz de identificar e buscar 231 brinquedos específicos pelo nome.
O animal também demonstra compreensão de categorias e capacidade de aprendizado rápido para novos objetos.
Pesquisadores das universidades de Lincoln e Sussex utilizam o caso para aprofundar estudos sobre a evolução da linguagem.
A raça border collie é historicamente reconhecida como a mais inteligente do mundo no ranking de Stanley Coren.
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O fenômeno, descrito por especialistas como “Aprendiz de Palavras Extremo” (Extreme Word Learner), coloca o animal em um patamar raro de inteligência. Segundo pesquisadores da University of Lincoln, essa habilidade não se limita apenas à repetição, mas envolve um processo mental complexo conhecido como “mapeamento rápido”, comumente observado no desenvolvimento da linguagem em seres humanos.
Metodologia e análise científica
Os testes realizados com o cão envolveram a dispersão de centenas de objetos em cômodos diferentes. Sob comando verbal, o animal deve localizar o item específico solicitado pelo tutor. O índice de acerto superior a 90% descarta a possibilidade de acerto casual ou pistas visuais inconscientes fornecidas pelos donos.
“A habilidade de Harvey em associar sons específicos a objetos distintos, mantendo essa informação na memória de longo prazo, oferece dados valiosos sobre a plasticidade cerebral canina.”
Para a comunidade acadêmica, casos como o de Harvey são essenciais para entender se a linguagem é uma exclusividade humana ou se os blocos de construção da comunicação estão presentes em outras espécies. Embora o animal não produza sons articulados, a recepção e o processamento da informação sugerem um sistema de lógica avançada.
O fator genético e o estímulo
Embora a predisposição genética da raça border collie seja um fator determinante — conforme os critérios estabelecidos pelo neuropsicólogo Stanley Coren —, o ambiente desempenha papel crucial. O treinamento de Harvey não foi baseado em métodos de adestramento profissional rigoroso, mas em uma rotina de estímulos constantes desde os primeiros meses de vida.
O impacto dessas descobertas vai além da curiosidade. Setores da medicina veterinária e da biologia utilizam esses dados para formular novas diretrizes sobre o bem-estar animal, sugerindo que cães de alta performance cognitiva podem desenvolver distúrbios de comportamento caso não sejam submetidos a desafios mentais diários.
