09/03/2026 - 10:09
Oferecer um comprimido para tratar o cachorro ou gato doente pode se transformar em uma verdadeira batalha. Às vezes, é preciso disfarçá-lo com comida. Ou forçar a administração, o que pode render doses de estresse para o pet e machucados para o tutor. De fato, dar medicamentos para bichos de estimação pode dar muito trabalho especialmente quando o tratamento é contínuo e exige disciplina rigorosa.
Ter de fazer o animal consumir um medicamento em uma eventualidade é completamente diferente de administrar o produto em uma rotina diária de medicação para cardiopatias, doenças crônicas, distúrbios hormonais ou dermatológicos, nos horários corretos e por tempo prolongado. Quando o cuidado exige constância, o desgaste emocional pode ser significativo. Se o bicho for gato, a tarefa ganha mais complexidade.
Pets vivem mais e precisam de tratamento contínuo
Esconder comprimidos na comida, forçar a boca do animal ou lidar com recusas frequentes faz parte da rotina de muitos lares. Afinal, com o avanço da medicina veterinária e com a maior conscientização dos tutores a respeito da saúde dos pets, eles estão vivendo mais tempo. Essa maior longevidade faz com que cresçam também as demandas por soluções que tornem os tratamentos mais viáveis e menos estressantes.
Nesse contexto, a personalização de medicamentos veterinários tem conquistado espaço como alternativa para ajustar doses e formas farmacêuticas às necessidades específicas de cada paciente. Quem explica isso é Caroline Ramalho, farmacêutica especializada em medicamentos veterinários, fundadora da Tudodvet e presidente da regional Rio de Janeiro da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag).
Remédios manipulados para bichos de estimação
“Nem sempre a apresentação industrial atende a todos os perfis. Em muitos casos, adaptar a forma de administração transformando o medicamento em líquido, pasta oral, biscoito medicamentoso com sabores deliciosos ou até gel transdérmico facilita a rotina e reduz o estresse tanto do animal quanto do tutor”, afirma Caroline.
Biscoitos ajudam, em especial, os animais acostumados a petiscos. Líquidos podem ser administrados de maneira rápida com uma seringa específica para pets. Além dessas formulações e dos géis e pastas, os produtos podem ser manipulados como sachês.

Prescrição é dada pelo veterinário
Os medicamentos veterinários manipulados são fórmulas preparadas em farmácias especializadas que adaptam dose e forma de administração para cada animal. A adoção desses remédios personalizados depende sempre de prescrição médico-veterinária e do trabalho integrado entre veterinário e farmacêutico.
Especialistas apontam que a dificuldade na administração é um dos fatores que contribuem para atrasos ou interrupções no tratamento. Quando a medicação passa a representar um momento de conflito recorrente, a chance de falhas aumenta e isso pode comprometer a eficácia terapêutica.
De acordo com Caroline, a personalização não resolve todos os desafios clínicos. “Mas reduzir o conflito na administração já impacta diretamente na adesão. O animal sofre menos estresse, o tutor ganha segurança e consegue manter a disciplina que a doença exige”, diz.
