23/02/2026 - 18:32
Este verão tem sido marcado por dias extremamente quentes, mas também chuvas torrenciais, superando médias de temporadas passadas. O que fazer com os cães com situações como essas? O influenciador e ator Léo Bagarolo, tutor da famosa dupla Mada e Bica – que nomeia o perfil das redes com os pets – e de Afonso e Plínio, compartilha cuidados e rotina com seus cachorrinhos durante o período nesta entrevista. Ele e Evelin Camargo, atriz, são também responsáveis pela gata Lola, mais uma pet influencer da família.
Vale ressaltar que o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMVSP) alerta que há riscos de desidratação e queimaduras solares com o verão. É fundamental evitar que os animais permaneçam em ambientes muito quentes e manter uma fonte de água fresca sempre disponível. Para cães de pele clara, despigmentados ou com regiões pouco pilosas é necessária a aplicação de proteção solar específico.

ISTOÉ PET – No verão, todo mundo fala de calor. Mas e esses temporais? Como você prepara o seu dia a dia com os pets nos dias muito quentes e nos dias de chuva? Dentro e fora de casa. Ventilador, ar condicionado, capa de chuva a postos?
Léo Bagarolo – Vamos lá. Esse verão está muito chuvoso, principalmente na nossa região, onde moramos, na região metropolitana de São Paulo. Isso gera um problema, porque moramos em casa, temos uma área externa e não podemos usá-la, já que está sempre molhada, úmida, chuvosa. Então, precisamos aproveitar mais dentro de casa. O que fazemos normalmente? Dentro de casa, o clima fica mais fresco. Então, não precisamos de ar-condicionado ou ventilador, porque a chuva ameniza bastante a temperatura. Fazemos menos passeios e aproveitamos para sair apenas nos momentos em que não está chovendo, mas a chuva acaba reduzindo esses passeios. Dentro de casa, procuramos sempre entreter essa galera, já que temos quatro cães e um gato. Costumamos oferecer a alimentação em comedouros interativos, sejam bolinhas ou alimentação úmida congelada, que eles ficam lambendo por uma 1h/1h30, às vezes quase 2h, dependendo do pet. Isso cansa, estimula a saúde mental e funciona como exercício diário. Temos um benefício com eles também que é que fazem xixi e cocô dentro de casa, no tapetinho higiênico. Não precisamos sair para as necessidades. Isso facilita em momentos de muito calor ou muita chuva, quando reduzimos os passeios e focamos nas brincadeiras dentro de casa.
Alimentação e hidratação no verão
ISTOÉ PET – Apetite! Muda alguma coisa na rotina dos bichos em virtude da temporada quente? Sendo humanos, a tendência é aumentar o consumo de alimentos frescos e gelados. E com a família de quatro patas?
Léo – Controlamos muito bem a alimentação deles. Pesamos todas as porções. Damos comida de manhã e à noite e, eventualmente, petiscos e brincadeiras ao longo do dia. Mantemos a mesma quantidade de alimento, independentemente da época do ano, dosando conforme a necessidade de cada um e também de acordo com a idade e o nível de atividade. Por exemplo, temos o bulldog Afonso, que tem apenas 1 ano e é extremamente ativo. Então, ele come mais porque queima muita caloria. Já a Madalena é uma bulldog mais velha, faz menos atividades. A alimentação dela é controlada de forma bem rígida. A Lola, nossa gata, se autorregula. Ela tem comedouros interativos e vai comendo no tempo dela. O que controlamos mais é o sachê, que oferecemos diariamente, principalmente por conta da hidratação, já que gatos costumam beber menos água do que deveriam. Ela é viciada em sachê, se dermos cinco por dia, ela come. Por isso, controlamos com orientação veterinária de acordo com o peso dela. Visualmente também conseguimos identificar se algum dos cachorros está acima ou abaixo do peso, mas todos são muito saudáveis nesse sentido, até pela combinação com atividades físicas.
Horários seguros para passear no calor
ISTOÉ PET – No inverno, a tendência é ficar mais dentro de casa. Mas no verão? O que levar em conta para fazer com que todos na família curtam os passeios fora de casa? E os passeios fora da cidade?
Léo – No verão, me incomoda muito ver pessoas passeando com seus pets ao meio-dia, com o sol forte e o chão quente, principalmente cães usando roupa em um calor absurdo. Eu realmente reprovo esse tipo de situação! Acho que existem horários corretos para passear, respeitando a rotina do tutor e as necessidades do pet. No verão, o ideal é no início da manhã ou no fim da noite, quando a temperatura está mais amena. Pode ainda estar calor, mas o chão não estará tão quente. Também temos o costume de viajar no verão e adotamos duas rotinas: ou uma pessoa fica em casa cuidando dos cães e da gata ou levamos os cães para a creche, onde ficam se divertindo durante a semana ou por até 15 dias, se necessário. Lá, é tudo controlado: área fechada, ar-condicionado, monitores e atividades. Às vezes, inclusive, é possível deixar o pet na creche durante o dia para brincar e buscá-lo à noite, o que também é importante para a saúde mental do animal. A nossa gata, como não sai de casa, fica com alguém acompanhando. Tanto no frio quanto no calor, essas medidas são necessárias. No verão ainda há um ponto crítico: os parasitas, que se proliferam mais, como pulgas, carrapatos, além dos problemas de pele que são causados pela estação do ano, exigindo atenção redobrada.

Solo quente e cuidados com as patas
ISTOÉ PET – Falando das patinhas: algum cuidado em específico quanto ao solo quente? E o úmido?
Léo – Em casa não costumamos fazer hidratação das patinhas, a não ser quando identificamos alguma necessidade específica. Como disse anteriormente, é estritamente proibido passear com os cães em horários muito quentes. O solo úmido não é um problema para nós. Cachorro brincar na grama, na areia, andar em terrenos naturais é importante. Costumo dizer que cachorro tem de ser cachorro: fazer buraco, cheirar coisas, se divertir. Isso é essencial! Depois, com os banhos e os cuidados de higiene individuais que variam conforme o pelo ser curto ou mais longo. Cada pet tem sua necessidade. Temos um cachorro de pelo longo que toma banhos mais frequentes, principalmente por conta da tosa higiênica e dos nós no pelo. Os outros já tomam menos banhos. A gata se limpa sozinha, é do comportamento felino. Já os cães precisam de mais controle, porque ficam mais sujos e com odor, mas nunca impedimos as brincadeiras. Acho isso essencial para eles.
Banho e secagem após chuva ou piscina
ISTOÉ PET – Falando de sol: protetor no focinho? Qual? Como sabe o que é bom? Falando de chuva: secador no pelo se pegar um daqueles dilúvios ou marca logo o petshop para um banho? Ou… nem sai se tiver nuvem escura?
Léo – Não usamos protetor de focinho, até porque não ficamos muito tempo na rua com eles. Quando saímos, tomamos cuidado, principalmente porque temos dois bulldogs ingleses, que são braquicefálicos. Eles cansam muito rápido e têm mais dificuldade para respirar e ventilar. O Spitz também tem um tempo menor de tolerância à atividade física. Então, não ficamos tempo suficiente expostos para exigir protetor. Eles gostam muito de nadar, a Madalena, principalmente. Então permitimos, mas de forma controlada, por conta do cloro e do sol. Sempre que ela nada, precisamos secá-la bem, porque a umidade pode gerar fungos e problemas de pele, especialmente em bulldogs que têm mais tendência. As orelhas também precisam ser bem secas para evitar inflamações. Usamos toalha e secador quando necessário. Também utilizamos bastante o pet shop, onde fazem limpeza completa, escovação de dentes, limpeza de orelhas e das dobrinhas. Não damos banho com frequência excessiva, porque, dependendo da raça e da rotina, menos banho pode ser melhor para evitar alergias. O Spitz exige um pouco mais de cuidado nesse sentido. Em casa damos banho quando necessário e contamos com o serviço do pet shop para manutenção da higiene. Acho importante conhecer bem o local e explicar as necessidades do pet. Por exemplo, pedimos para não usar perfume, pois pode causar alergia nos bulldogs, e reforçamos a limpeza das dobrinhas. É importante que o pet shop seja parceiro, quase como uma extensão da sua casa, mantendo a mesma rotina de cuidados com apoio profissional.

