A temporada de blocos de rua para o Carnaval 2026 já mobiliza tutores que desejam incluir cães e gatos nas festividades. No entanto, o ambiente de aglomeração, calor intenso e poluição sonora exige uma avaliação criteriosa sobre o bem-estar dos animais. Especialistas alertam que o que parece ser uma diversão para o humano pode se tornar um cenário de estresse agudo e riscos clínicos graves para os pets.

    • Animais idosos, filhotes e raças braquicefálicas devem evitar ambientes de aglomeração.

    • A hipertermia maligna é um risco real em dias de calor intenso e esforço físico.

    • O uso de glitter e fantasias inadequadas pode causar irritações e intoxicações.

    • A identificação atualizada é indispensável para evitar perdas em casos de fuga por medo.

Links relacionados:

De acordo com a Dra. Sibele Konno, diretora médica do Grupo Pet Care, o estresse pode desencadear reações fisiológicas severas. “Em momentos de tensão, os animais podem apresentar aumento das frequências respiratória e cardíaca, rigidez muscular e tentativas de fuga. O calor exacerba esses quadros, podendo levar à internação”, explica a médica.

Abaixo, confira as principais recomendações para garantir a segurança do seu animal:

1. Avalie o perfil do animal

Nem todo pet possui temperamento para lidar com ruídos altos e multidões. Sinais de medo, como tremores, orelhas baixas e respiração acelerada, indicam que o animal deve ser poupado da experiência. Animais com focinho curto (pugs e bulldogs) sofrem mais com a troca de calor e correm riscos maiores em blocos.

2. Priorize a hidratação e o controle térmico

O asfalto quente pode causar queimaduras severas nas patas. O ideal é optar por horários com menor incidência solar (início da manhã ou fim de tarde). Ofereça água fresca com frequência e observe sinais de superaquecimento, como língua excessivamente vermelha ou azulada e salivação em excesso.

3. Fantasias e adereços

O figurino carnavalesco deve ser leve, respirável e não limitar os movimentos. É fundamental que a roupa não obstrua olhos, focinho ou orelhas. Se o pet demonstrar desconforto ou tentar remover o acessório, a orientação é retirá-lo imediatamente para evitar estresse e risco de ingestão de peças pequenas.

4. O perigo do glitter e substâncias químicas

O glitter tradicional contém microplásticos que irritam a pele, olhos e vias respiratórias. Há ainda o risco de o animal ingerir a substância ao se lamber. Caso queira usar algum brilho, utilize exclusivamente produtos com o selo “pet safe”, formulados especificamente para a fisiologia animal.

5. Guia curta e identificação

Em ambientes cheios, o controle do tutor é essencial. Utilize guias curtas, preferencialmente com peitorais, que são mais seguros do que coleiras de pescoço. A plaquinha de identificação com telefone atualizado deve estar fixada permanentemente ao animal.

6. Restrição alimentar

Evite compartilhar alimentos de rua ou bebidas alcoólicas. Itens comuns em festas, como chocolates, uvas, carambola e alimentos temperados com alho ou cebola, são altamente tóxicos para cães e gatos.

“Respeitar os limites de cada espécie é uma forma de zelar pela saúde. Se for o caso, vá curtir o bloquinho com os amigos e deixe o seu melhor amigo no conforto do sofá.”

Dra. Sibele Konno

Respeitar a natureza do animal é o maior gesto de cuidado. Se o ambiente estiver lotado ou o pet demonstrar cansaço, o retorno para casa deve ser imediato para garantir que o Carnaval não termine em emergência veterinária.