09/01/2026 - 17:09
Uma pesquisa inovadora publicada nesta quinta-feira (8) na revista Science está redefinindo o que se entende por cognição canina. O estudo demonstra que um grupo seleto de cães possui a capacidade de aprender o nome de objetos de maneira passiva, apenas “ouvindo” os diálogos de seus tutores. A descoberta equipara o processo de aprendizado desses animais ao de crianças pequenas, que captam o vocabulário por meio da interação social e da observação do ambiente.
Pesquisadores da Universidade de Viena e da Universidade Eötvös Loránd (Hungria) acompanharam cães “gênios” por sete anos.
A capacidade de aprender por observação, comum em crianças, foi identificada em cerca de 45 animais em todo o mundo.
Embora frequente em Border Collies, a habilidade também foi registrada em raças como Shih Tzu, Pequinês e em cães sem raça definida.
Especialistas alertam que a característica é “profundamente excepcional” e não deve ser esperada em animais de estimação comuns.
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Sob a coordenação de Shany Dror, pesquisadora do Clever Dog Lab da Universidade Veterinária de Viena, o projeto recrutou animais para o chamado “Desafio do Cão Gênio”. Ao longo de sete anos, a equipe identificou apenas 45 indivíduos com tal potencial. O experimento consistiu em verificar se esses cães conseguiriam associar uma nova palavra a um item específico sem que houvesse o reforço positivo (petiscos) ou o ensino direcionado.
Evolução e as raízes da linguagem
O alcance da pesquisa ultrapassa o adestramento convencional. Para Dror, os resultados fornecem evidências sobre a “complexa engrenagem necessária para a aprendizagem social”, sugerindo que as bases cognitivas para aprender com o outro já existiam antes mesmo do desenvolvimento da linguagem humana complexa. Relatos de tutores incluídos no estudo descrevem situações em que cães buscavam brinquedos específicos após ouvirem conversas casuais sobre o objeto em outro cômodo.
“Isso nos dá uma pista de que, antes de os humanos desenvolverem a linguagem, já possuíam essa habilidade cognitiva de aprender com os outros.”
Apesar do entusiasmo com os resultados, a comunidade científica mantém a cautela. Clive Wynne, especialista da Universidade Estadual do Arizona, ressalta que esses animais são “profundamente excepcionais”. A presença da habilidade em raças tão distintas quanto Yorkshire Terriers e vira-latas indica que a superdotação canina pode estar mais ligada a indivíduos específicos do que a linhagens genéticas predeterminadas.
Com informações da AFP
