Cães que já conheceram abandono vão desempenhar um novo papel: o de agentes de cuidado. Essa é a proposta do projeto “Love que Cuida”, iniciativa que une Instituto Caramelo e Petlove e que levará três cachorros SRDs (sem raça definida) em uma visita terapêutica a crianças e adolescentes em tratamento oncológico no hospital do GRAACC, em São Paulo.

Marcada para a manhã da segunda-feira, 23, a ação tem como foco oferecer suporte emocional para os pacientes, além de dar visibilidade aos chamados “pets invisibilizados”, como animais idosos, com deficiência ou SRDs, que enfrentam mais dificuldades de adoção.

No GRAACC, referência no tratamento de câncer infantil, ações de humanização fazem parte do cuidado integral oferecido a pacientes e familiares. A presença de cães terapeutas contribui também para tornar a rotina hospitalar mais acolhedora.

Segundo Bruno Junqueira, vice-presidente de pessoas, ESG e comunicação institucional da Petlove, o projeto conecta duas jornadas de superação. “O paciente recebe o carinho genuíno do pet, enquanto o animal ganha visibilidade e novas oportunidades de adoção. É uma troca poderosa de afeto”, afirma.

Para o Instituto Caramelo, o “Love que Cuida” reforça o potencial transformador dos animais resgatados. “Ver cães que um dia foram vítimas de abandono levando conforto e alegria para crianças em tratamento é uma forma poderosa de mostrar que todo animal merece uma segunda chance. E, muitas vezes, são eles que acabam cuidando da gente também”, diz Yohanna Perlman, diretora executiva da organização.

Terapia com animais no tratamento do câncer

De acordo com Monica Cypriano, diretora clínica do GRAACC, a interação com animais tem efeitos comprovados. “O tratamento oncológico é um grande desafio e os animais ajudam a desviar o foco da doença, proporcionando alegria, calma e bem-estar — o que pode contribuir muito com os resultados clínicos”, afirma.

Estudos indicam que o contato com pets estimula a liberação de endorfina e serotonina — associadas à sensação de prazer — e reduz os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse. Em um contexto de tratamento prolongado, esses efeitos podem contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.

Temperamento, não raça

Ao contrário do senso comum, não é a raça que define um cão terapeuta. Segundo a veterinária Bruna Garcia, da Petlove, o critério principal é o comportamento. Os animais selecionados são dóceis, saudáveis e preparados para lidar com estímulos intensos e com o toque constante das crianças.

A abordagem reforça que cães SRDs também podem desempenhar papéis terapêuticos relevantes quando recebem cuidado, socialização e acompanhamento adequados.

Adoção como desdobramento

Além do impacto imediato nas crianças, o “Love que Cuida” atua como plataforma de conscientização. A Petlove e o Instituto Caramelo utilizam o projeto para impulsionar campanhas de adoção, compartilhando nas redes sociais imagens dos cães participantes e informações sobre como adotá-los.

Ao transformar esses animais em protagonistas, a iniciativa amplia sua visibilidade e reforça que os chamados pets invisibilizados também estão prontos para um novo lar.