04/04/2026 - 11:54
No Brasil, 8 em cada 10 pets adotados vêm de resgates feitos pelos próprios tutores ou são repassados por amigos e familiares, enquanto apenas 18% de cães e gatos chegaram às famílias por meio de ONGs e abrigos. Os dados são de uma pesquisa da GoldeN em parceria com a Opinion Box que avaliou, pelo segundo ano, o quadro da adoção no país. O estudo mostra que 34% dos bichos de estimação que encontraram lares foram tirados das ruas pelo adotante e 46% vieram da rede de contato.
Dos animais adotados, 9% vieram de ONGs e outros 9%, de abrigos. Das pessoas ouvidas, 2% indicaram outras formas de adotar.
Vira-latas são prevalentes
A pesquisa confirma o reinado do vira-lata nas casas. Eles são a maioria entre os gatos (75%). Entre os cães, o SRD (sem raça definida) é o mais comum, com 28% das respostas.
No entanto, o estudo traz um alerta: 60% dos brasileiros concordam que ainda existe preconceito contra os vira-latas. Para 86% dos entrevistados, a adoção de SRDs deveria ser mais incentivada.
Dia Mundial do Animal de Rua
Os dados foram divulgados no Dia Mundial do Animal de Rua, 4 de abril. A data foi criada para ajudar na ampliação do conceito de adoção responsável dos bichos que vagam pelas cidades.
O levantamento foi realizado com 1.080 pessoas entrevistadas de todas as regiões do país, por meio de coleta online, no período de 28 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026.
Quantos são os cães e gatos abandonados no Brasil?
O tema da adoção está cada vez mais em alta no país. As estatísticas sobre animais nas ruas demonstram a urgência de se encontrar mais famílias que ofereçam um lar seguro para eles. O Brasil tem cerca de 30 milhões de cães e gatos abandonados, segundo a OMS.
Ao evidenciar como as adoções por meio de ONGs e abrigos estão ainda em patamar secundário, a pesquisa indica que elas necessitam de mais visibilidade. No ano passado, na primeira edição desse estudo, as respostas que apontavam pets vindos de ONGs e abrigos ficaram em 21%. Em 2025, os demais índices, conforme a pesquisa, ficaram assim: 37% dos casos de adoções vieram por meio da rede de contato e 29% foram de resgates diretos da rua.
Desafios da adoção responsável
Tão importante quanto adotar é assumir plenamente a responsabilidade que essa decisão envolve. Na pós-adoção, surgem questões práticas que podem ser desafiadoras para alguns tutores. Entre os principais motivos alegados pelos indivíduos que devolveram um animal estão “problemas financeiros” (48%) e “problemas de comportamento do pet” (39%).
De acordo com a pesquisa, há um conflito de gerações a ser considerado. Tutores mais jovens (18 a 29 anos) indicam a instabilidade financeira como principal obstáculo. Os mais maduros lidam com a falta de tempo e os desafios para lidar com o comportamento do bicho. Isso mostra que cada fase da vida exige um tipo diferente de suporte para garantir a posse responsável.
Como solução, a população aponta um caminho claro: o apoio. Dos entrevistados, 87% afirmam que suporte e orientação após a adoção ajudariam a evitar o abandono. Esse apoio está relacionado a consultas veterinárias gratuitas ou com desconto (65%) e a campanhas educativas sobre posse responsável (55%).
“A população não está apenas apontando os problemas, mas também entregando o mapa da solução: mais acesso à saúde veterinária e mais educação”, declarou Felipe Mascarenhas, head de marketing de GoldeN.
A empresa disponibiliza em seu site um portal com informações de ONGs parceiras em todo o Brasil, facilitando o contato entre futuros tutores e animais que aguardam adoção.
Exposição virtual compartilha histórias de adoção
A marca criou uma exposição online, em parceria com o Museu da Pessoa, para mostrar histórias de adoção, estimulando que novos casos de encontros entre tutores e pets. Em “A Vida que Compartilhamos” são apresentados exemplos de como a vida pode ser transformada com a presença de um cão ou gato em casa.
O afeto observado na pesquisa GoldeN/Opinion Box é materializado na exposição – que foi aberta neste sábado, 4. O projeto incentiva tutores a contarem as suas histórias de vida com seus pets.
A tese que orienta a exposição “Vida que Compartilhamos” é que os vínculos com cães e gatos proporcionam mudanças profundas na forma como vivemos, amamos, envelhecemos e enfrentamos crises. Os pets deixaram de ser companhias domésticas e passaram a ser agentes biográficos. Eles atravessam gerações, substituem silêncios, sustentam lutos e reconfiguram a ideia de família.

