04/04/2025 - 15:51
O Dia Mundial dos Animais de Rua é lembrado a cada 4 de abril. A data surgiu na Holanda, em 2012, para conscientizar as pessoas sobre o problema de cães e gatos abandonados. No Brasil, estima-se que existam 30 milhões deles.
É importante prestar ajuda a esses animais, principalmente os que estão em situação de sofrimento. Segundo Yohanna Perlmann, diretora executiva do Instituto Caramelo, castração é a solução para esse contingente de bichos nas ruas, uma medida que tem de ser combinada com políticas públicas.
Quem também defende o procedimento como o “bem maior da causa animal” é Edu Leporo, idealizador do projeto social Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC).
Todos podemos contribuir para combater o problema dos animais nas ruas. Com tantos bichos andando por aí, tem-se a impressão de que nós normalizamos esse cenário. Yohanna conta que a maior parte de cães e gatos nas ruas se concentra em regiões de vulnerabilidade social. É como se eles estivessem “da ponte pra lá”. “De certa forma, isso afasta o real problema de quem tem condições de agir face a essa situação”, diz.
O que se deve fazer, então, quando nos deparamos com um cachorro ou gato abandonado, que não aparente ter tutor? A primeira atitude é não ficar insensível à situação. Lembre-se que animais podem ter reações agressivas – em função de medo ou de dor de um machucado, por exemplo. Por isso, tenha cautela e seja paciente. Ofereça água e ração. Pergunte na vizinhança se alguém o conhece.
Se não há informações, recomenda-se que a pessoa entre em contato com o Centro de Controle de Zooneses, com a polícia ambiental ou alguma ONG que ela saiba que tem meios de recolher o animal.
Pesquise a ONG
Caso não tenha contato de nenhuma entidade e a pessoa decida pedir dicas, vale conferir como a ONG atua. “O mais importante é entender a seriedade do trabalho. Na causa animal, o resgate é apenas a pontinha do iceberg”, comenta Yohanna. É essencial acompanhar o trabalho de tratamento e também de incentivo à adoção responsável.
“As ONGs devem estar comprometidas em cuidar dos animais que elas já possuem antes de resgatarem”, completa. Por que esse cuidado? “O resgate pode ser somente uma frente de engajamento e likes nas redes sociais. Então, acompanhar a trajetória completa do animais é o caminho”, recomenda.
Animais comunitários
Existe outro quadro que merece atenção: os animais comunitários, que vivem em grupos, normalmente em áreas como parques, praças, campi universitários e mesmo em condomínios. Não há um tutor que se responsabilize unicamente por eles. “Essa é uma realidade do Brasil”, comenta Yohanna. “Devemos cuidar dos animais, dando comida e água e amor para que possam viver com tranquilidade e harmonia com a comunidade”.
Também nesse caso o ponto essencial está na castração. Se chegar um novo animal ao grupo, é fundamental levá-lo ao veterinário para castração. Se não for feito isso, a proliferação será sem fim.
Na rua, ao lado do tutor
Criado há nove anos em São Paulo, o projeto social Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC) atua com a população em situação de rua e seus pets. De acordo com Edu Leporo, existem cerca de 30 mil cães nessas condições em São Paulo.
O idealizador do projeto conta que, quando alguém pensa em ajudar esses animais, é comum que a ideia se restrinja a ração. Mas o auxílio pode ser maior. “Nem só de ração vive o cão”, costuma dizer.
Leporo explica que o projeto leva para as ruas, além de ração, um atendimento composto por banhos, vacinas, vermífugos, antiparasitas, guias, coleiras e um serviço de castração. “Quando for ajudar um cão ou gato e seu tutor na rua, lembre-se que eles precisam de tudo isso. É questão de saúde e bem-estar animal. É questão de zoonose”, afirma.
Nos últimos quatro anos, o MRSC – que não faz resgate de animais – realizou mais de quatro mil castrações. Esse número não se limita à capital paulista. O projeto hoje atua, por meio de parceiros, em Osasco, Campinas, Itanhaém, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Florianópolis e Distrito Federal.
A melhor forma de ajudar
Além de ajudar o projeto com contribuições diretas, o que pode se fazer por um pet que esteja nas ruas, junto de um tutor, que igualmente está em um quadro de vulnerabilidade? Leporo afirma que é fundamental entender as necessidades mais urgentes da pessoa e seu companheiro peludo. Para isso, é preciso ouvir, conversar.
É possível oferecer-se para levar o animal para um atendimento especializado, explicando que é um cuidado para o momento? “Cuidar sim. Prestar socorro, oferecer uma consulta veterinária, vermífugo, vacinas. Até mesmo a castração”, orienta Leporo. Segundo ele, a melhor forma de ajudar é respeitando a pessoa e seu pet.